Tenho-me como alguém que tomou sempre bem conta de si. Mas, como todas as pessoas, na verdade graças à ajuda da atenção e dos conselhos de outros.
Só que um dia, num dia em que precisei, não tive ninguém que cuidasse de mim. Ninguém me alertou para o perigo que eu corria. Viram-me frente a uma coluna de som que sabiam ser avassaladora, e assim me deixaram estar. Deixaram-me sozinho a arruinar a minha audição.
Não conseguiria fazer o mesmo a ninguém. Eu seria incapaz de ter feito o que me fizeram, por omissão, estivesse consciente do perigo que causava. A negligência própria não pode justificar a negligência de terceiros. Não é assim que os humanos se tratam uns aos outros, eticamente. Dizemos-nos «tem cuidado» entre nós.
Por isso não consigo deixar de apelar a todos os que me leiam a terem cuidado:
Tomem conta da vossa audição, evitem ruídos elevados, e não se aproximem de colunas de som. Sobretudo não se aproximem de colunas de som — não assumam serem valores seguros em decibéis o som que sai de qualquer altifalante, porque os operadores de som podem não querer saber da segurança do público. Quanto mais alto, melhor, para esses — é só o que lhes interessa. Eles estão longe das colunas, atrás duma mesa de mistura.
A degradação da audição por devastação do ouvido interno é mais incapacitante do que possam imaginar. Muitos não imaginam que também o silêncio é roubado das pessoas com lesões no ouvido interno. Tinidos, ou acufenos, preenchem o cérebro com um ruído insuportável, para sempre.
Nunca mais poderão ouvir o silêncio, nunca mais terão sossego. O resultado é uma terrível falta de concentração e de serenidade. É uma condição debilitante. O mundo fica cansativo, ruidoso, desgastante. Ler um livro em silêncio é impossível, pois já não existe silêncio. O sossego das nossas casas, o próprio deitar no quarto para dormir, deixa de ser um momento de conforto acolhedor, para se tornar num inferno. Assim fiquei sem um pedaço de mim, sem que ninguém com quem me cruze possa adivinhar como já não tenho para onde me recolher em paz.
Perder o silêncio não é um pormenor. As consequências para a qualidade de vida são profundas e permanentes. A audição é mais da nossa vida do que possam imaginar. Por isso, tenham cuidado. E tomem sempre conta uns dos outros. ※
Para saber mais: Para informações sobre esta condição, veja a página da American Tinnitus Association ou a Causa no Facebook, a página da British Tinnitus Association, e da Tinnitus Research Initiative.
Só que um dia, num dia em que precisei, não tive ninguém que cuidasse de mim. Ninguém me alertou para o perigo que eu corria. Viram-me frente a uma coluna de som que sabiam ser avassaladora, e assim me deixaram estar. Deixaram-me sozinho a arruinar a minha audição.
Não conseguiria fazer o mesmo a ninguém. Eu seria incapaz de ter feito o que me fizeram, por omissão, estivesse consciente do perigo que causava. A negligência própria não pode justificar a negligência de terceiros. Não é assim que os humanos se tratam uns aos outros, eticamente. Dizemos-nos «tem cuidado» entre nós.
Por isso não consigo deixar de apelar a todos os que me leiam a terem cuidado:
Tomem conta da vossa audição, evitem ruídos elevados, e não se aproximem de colunas de som. Sobretudo não se aproximem de colunas de som — não assumam serem valores seguros em decibéis o som que sai de qualquer altifalante, porque os operadores de som podem não querer saber da segurança do público. Quanto mais alto, melhor, para esses — é só o que lhes interessa. Eles estão longe das colunas, atrás duma mesa de mistura.
A degradação da audição por devastação do ouvido interno é mais incapacitante do que possam imaginar. Muitos não imaginam que também o silêncio é roubado das pessoas com lesões no ouvido interno. Tinidos, ou acufenos, preenchem o cérebro com um ruído insuportável, para sempre.
Nunca mais poderão ouvir o silêncio, nunca mais terão sossego. O resultado é uma terrível falta de concentração e de serenidade. É uma condição debilitante. O mundo fica cansativo, ruidoso, desgastante. Ler um livro em silêncio é impossível, pois já não existe silêncio. O sossego das nossas casas, o próprio deitar no quarto para dormir, deixa de ser um momento de conforto acolhedor, para se tornar num inferno. Assim fiquei sem um pedaço de mim, sem que ninguém com quem me cruze possa adivinhar como já não tenho para onde me recolher em paz.
Perder o silêncio não é um pormenor. As consequências para a qualidade de vida são profundas e permanentes. A audição é mais da nossa vida do que possam imaginar. Por isso, tenham cuidado. E tomem sempre conta uns dos outros. ※
Para saber mais: Para informações sobre esta condição, veja a página da American Tinnitus Association ou a Causa no Facebook, a página da British Tinnitus Association, e da Tinnitus Research Initiative.





Petwição ortográfica
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